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Só um pedaço de papel

  • Foto do escritor: Monica Dominici
    Monica Dominici
  • 5 de jan. de 2025
  • 2 min de leitura

Pode parecer só um pedaço de papel sem importância alguma, mas para mim é a confirmação que existe em mim um bicho curioso e teimoso que não se aquieta, que não se acalma, que se fortifica cada vez que pensa o que significa meu trabalho com saúde mental.

 

Acredito até que todos os que se entregam a estas profissões, não ficaram por aqui ao acaso, pela dificuldade em sustentar algo de tamanha complexidade sem a verdadeira paixão, e acredito ainda que essa paixão tenha sido aguçada por questões pessoais vividas.

 

Trabalhar com a psicanálise é sentir nas veias a pulsão de vida e querer transmitir a alguém que sofre algum conforto, um lugar seguro onde se possa despencar, onde se possa dar de cara com a mais profunda vulnerabilidade, pois estamos lá, nos entregando a uma escuta ativa, viabilizando a aquele que sofre o encontro com suas novas escolhas, seus novos caminhos.

O convite é de uma vida mais leve e com sentido próprio.

 

Trabalhar com saúde mental é não se conformar frente a uma sociedade que desmorona em sintomas, dores e sofrimentos. É entender que uma pessoa sadia pode sim ser um vetor de mudanças estruturais no seu meio, perpetuando vidas melhores em toda nossa sociedade. Trabalhamos com a singularidade, entretanto, a meu ver, é neste sentido, um trabalho político e público.

 

Ter tido a oportunidade de escutar tantas mentes brilhantes neste primeiro Congresso Internacional de Psicanálise e Psiquiatria é um deleite, é uma injeção de informações, trocas de experiências, conhecimentos, vidas, que nos fortifica e nos instiga a cada dia ler mais, pensar mais, atender mais, escutar mais, nos entregar mais, pesquisar mais, estudar mais, e como não poderia deixar de ser, nos cuidar mais.

 

Vou usar aqui a frase da minha amiga de jornada psicanalítica e de tantas outras, a psicanalista Andrea Kemelmeier, “se estou nesta vida, eu quero é viver.”

Estou com você Andrea, viver e não sobreviver... sentir, e não anestesiar, me jogar e não estacionar... Lidamos dia a dia com as fragilidades do corpo, mas principalmente da alma... sabemos os efeitos nocivos de uma vida que apenas segue o curso da demanda social, sem a sua devida reflexão, implicação e permissão da realização de seus desejos com suas devidas consequências.

Lembrando que a não realização de nada também tem consequências...

 

Psicanálise não é moral, é ética.

 

Esse pedaço de papel que parece sem importância cutuca ainda mais esse bicho doido que me habita, me impelindo a ir mais e mais além. E que venha o segundo, o terceiro, o vigésimo Congresso que estarei lá, sentadinha na primeira fileira, me emocionando novamente com as discussões, com as ideias, com as trocas.

O mundo gira, muda, se transforma em outra coisa, mas não tem inteligência artificial que me convença que a melhor saída para a vida não seja ativar a nossa humanidade, nos relacionando, nos comunicando, interagindo com o outro.

Esse pedaço de papel sim, me importa!


25/02/24

 



 
 
 

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